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Hoje, a gente ainda escuta perguntas que parecem absurdas.

“Será que ele é assim porque é mimado?”
“E se for só uma fase?”
“Tem certeza que é autismo?”
“Vacina não pode ter causado isso?”

E é fácil ficar irritado.

Fácil esquecer que, só de estar ali, esse pai já fez mais do que muita gente faz.

Ele saiu da negação. Ele procurou ajuda. Ele apareceu.

Eu torço pelo dia em que nenhuma família precise ser orientada do zero.

Que informação sobre autismo esteja disponível na escola, no posto de saúde, no grupo de gestante. Que a gente não precise mais começar explicando o que é atraso motor.

Mas até lá, a nossa resposta precisa ser empatia. Empatia com firmeza, com limite, mas com a clareza de quem sabe o que está fazendo. Porque entre um pai desinformado e um pai ausente, eu escolho mil vezes o que ainda faz pergunta.

E você? Já pensou quantas portas se fecham quando um profissional se incomoda com a dúvida da família?

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