Durante a minha participação no II Simpósio de Educação Especial de Bacabal (MA), eu tive a oportunidade de colocar em prática novamente a dinâmica da “Carta de um filho silencioso”, estreada na minha primeira palestra desse ano. Eu considero um acerto gigantesco ter implementado esse momento, não somente pela emoção que ele traz a todos, mas por incluir também aqueles que não tem voz, mas se expressam através de ações ou pequenos movimentos.
Eu sou autista, mas meu nível de suporte é 1. Eu tenho total ciência de que demando uma quantidade de apoio menor. E isso não me torna “menos autista”, tampouco me considero a voz dos outros. Porém, eu gosto de entregar um trabalho completo, e se estou falando de inclusão é uma obrigação falar também sobre os demais níveis de suporte.
Durante as minhas apresentações, eu leio duas cartas. Uma para minha mãe e minha vó, e outra para mães que possuem filhos autistas não verbais. Na segunda, eu chamo uma ou duas mães ao palco, e após ler uma carta repleta de sentimento e feita com respaldo de outros autistas, eu entrego uma rosa como presente. É simbólico e simples. Rosas são lindas e pra mim tem um significado muito especial.

Eu quero deixar registrado esse momento, entrou para o meu álbum. Fiquei sabendo que uma dessas mães não chora, uma mãe que sofre em silêncio, mas que continua lutando. E saibam que foi do fundo do meu coração. Que vocês duas e todas as outras mamães atípicas da plateia possam ter desfrutado dessa dinâmica e entendido a maior mensagem por trás dela:
Pessoas autistas possuem sentimentos. Por mais que as vezes parecemos não demonstrar, nós sentimos. E as nossas emoções transbordam de maneiras diferentes, desde pequenas atitudes como um afago no rosto, até mesmo estar por perto. Nós amamos. E o amor é a base de tudo.
Eu confesso que me emocionei também. Obrigado a todos que viveram esse momento comigo. Deus se fez presente e nos contemplou com essa linda noite! E por onde eu for, levarei essa lembrança.Toda carta lida, carrega um parágrafo que eu já recitei. E eu ainda irei ler muitas!