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Repensando o espectro autista

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A definição médica de autismo, ou transtorno do espectro autista, pode ter-se tornado tão ampla que começa a causar confusão e até mesmo diagnósticos errados. E quem faz essa afirmação tem autoridade para isso: A professora Uta Frith, do Colégio Universitário de Londres (Reino Unido), foi a pioneira das pesquisas nas décadas de 1960 e 1970 que lançaram as bases para que o autismo se tornasse uma condição médica reconhecida mundialmente.

Acontece que o transtorno do espectro autista, ao se tornar uma condição única, passou a abranger uma enorme variedade de pessoas, desde aquelas que precisam de cuidados 24 horas por dia até outras que vivem de forma totalmente independente e vivendo vidas típicas.

“O autismo nem sempre foi definido dessa forma, como uma espécie de diagnóstico genérico para uma enorme variedade de condições,” pondera a Dra. Frith. “Quando foi identificado pela primeira vez, na década de 1940, referia-se a um pequeno grupo de crianças com graves dificuldades de interação social, comunicação e comportamento.”

Mas as definições foram se ampliando, fazendo com que o número de pessoas diagnosticadas com autismo aumentasse drasticamente. Na década de 1960, cerca de 1 em cada 2.500 crianças recebiam o diagnóstico no Reino Unido. Hoje, esse número é de aproximadamente 1 em cada 57 crianças em idade escolar, um aumento de mais de 40 vezes.

“Com o tempo, a definição se ampliou para incluir pessoas com características mais leves e sem problemas de linguagem ou aprendizagem. Hoje, qualquer pessoa de qualquer idade ou nível de inteligência pode ser diagnosticada com autismo se atender a certos critérios,” ponderou a Dra. Frith.

Diferentes demais

O fato é que nem todos os diagnósticos de autismo são iguais. As pesquisas mais recentes mostram uma grande diferença entre pessoas diagnosticadas na infância e aquelas diagnosticadas mais tarde, a partir da adolescência.

Indivíduos diagnosticados precocemente geralmente apresentam sinais claros desde tenra idade e podem ter dificuldades de linguagem ou de aprendizagem. Já os diagnosticados mais tarde têm maior probabilidade de apresentar inteligência média ou alta e também podem apresentar condições como ansiedade, depressão ou TDAH.

Alguns estudos sugerem, inclusive, que esses grupos podem ter padrões genéticos diferentes, levantando a possibilidade de que não se trate da mesma condição.

O que a pesquisadora defende é que a expansão da definição do autismo pode levar ao sobrediagnóstico, em que as pessoas recebem o rótulo de autista mesmo quando outra condição pode explicar suas dificuldades. “Isso importa porque os diagnósticos moldam o tratamento, a identidade e o apoio. Um diagnóstico errado pode levar à ajuda errada – ou à falta de qualquer ajuda,” alerta ela.Condições de saúde

A Dra. Frith também destaca que:


Não existe um teste biológico para o autismo. O diagnóstico muitas vezes depende de julgamento e autodeclaração.Conceitos como “mascaramento” (esconder dificuldades) podem ampliar ainda mais os critérios.

O papel da cultura e da identidade.

Abandonar o espectro

“O autismo deixou de ser apenas um termo médico e tornou-se parte da cultura popular. As redes sociais, os filmes e as comunidades online ajudaram as pessoas a compartilhar experiências, mas também disseminaram ideias simplistas ou enganosas. Ao mesmo tempo, a ideia de ‘neurodiversidade’ incentivou as pessoas a verem o autismo como uma diferença, e não como um transtorno. Embora isso ajude a reduzir o estigma, também cria tensão: Se o autismo não é um transtorno, por que usar um diagnóstico médico?” pondera a pesquisadora.

Então, o que precisa mudar? Frith defende uma reformulação da definição e do diagnóstico do autismo. Em vez de um amplo “espectro”, ela sugere:

11. Dividir o autismo em subgrupos mais distintos.
2. Focar nas necessidades específicas de cada indivíduo.
3. Priorizar o apoio àqueles com maiores dificuldades.
4. Aprimorar a precisão diagnóstica para evitar confusão e diagnósticos errôneos.

“Chegou a hora de examinar se o espectro do autismo se tornou amplo demais. Sem maior precisão, corremos o risco de não compreender as necessidades das pessoas e de direcionar o atendimento de forma inadequada,”
concluiu Frith.


FONTE:https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=autismo-espectro-amplo-demais&id=17338

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