Em menos de uma hora recebi três denúncias de capacitismo com pessoas autistas e com deficiência intelectual. Um, de raiva explícita por autistas; o segundo, de um casal imitando pessoas com deficiência mental; e o terceiro, uma influenciadora jovem ao lado de uma amiga, ambas olhando para a câmera, fazendo chacota com uma terceira “amiga” (que não estava no vídeo), ridicularizando uma arte que havia feito. As duas riam e se referiam à ausente de “autista”, para efeito de piada.
Sinceramente, cansa demais presenciar tanto capacitismo, tanta ignorância de gente jovem, que já devia ter crescido com conhecimento sobre autismo.
Eu comecei a falar sobre o tema há exatamente 22 anos. No início do século XXI, autismo era “doença rara” na boca do povo. Desmistificar a condição era um trabalho invisível, mas motivado pela consciência de milhões de pais e mães, profissionais e cientistas empenhados a desvendar o chamado “enigma”.
Em todo o mundo tivemos muitos sucessos. Surgiram as leis, atenção da mídia, novas perspectivas; o DSM-5 e o TEA repaginado. Mães e pais se tornaram influenciadores, políticos, agentes multiplicadores da inclusão.
No entanto, anos depois voltaríamos para uma fase de desconhecimento, banalização e estereótipos contra os quais tanta gente lutou – e luta até hoje.
A rede social chegou com uma força enorme. Um impacto que saiu do virtual para o real:
TEM MUITA GENTE COM RAIVA DE AUTISTAS E PCD POR AÍ – e isso traz muita tristeza para quem já viu tanta coisa boa acontecer.
Espalhem por aí que o autismo é parte da vida.
A deficiência é parte da vida.
Se há vida, há direito de viver para todo mundo.
VIVER não é sobreviver. É ter saúde, dignidade, adaptações que sobreponham barreiras. Respeito.
Compartilhem com quem vocês acham que precisam ter essas informações.
Quem ainda acha que é legal fazer piada com a deficiência.
Quem acha que é imune a uma deficiência que entra pela porta quando menos se espera.
Que essas pessoas capacitistas nāo precisem que a deficiência bata às suas portas para acabar com seus preconceitos.