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Incentivo à independência

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Falar em independência no autismo não deveria se relacionar apenas à ideia de “fazer coisas sozinho”. Também envolve desenvolver condições para que o indivíduo faça escolhas, expresse preferências, estabeleça limites e participe das decisões sobre a própria vida.

Desde a infância, essa construção precisa ser incentivada; e favorecida ao longo do desenvolvimento.

A criança não quer dar beijo? Não quer abraçar um familiar? É preciso respeitar.
Não gostou de uma brincadeira? Pode dizer.
Algo a incomodou? Precisa saber que pode contar.

Respeitar esses limites não significa deixar de ensinar sobre regras, responsabilidades e convivência. A criança precisa aprender a esperar sua vez, cumprir combinados, tratar os outros com respeito e assumir responsabilidades compatíveis com sua idade, mesmo quando não está com vontade. Mas cumprir uma orientação não pode significar abrir mão do direito de expressar desconforto, discordar, manifestar suas preferências, recusar um contato corporal ou pedir ajuda diante de uma situação que ultrapasse seus limites.

No autismo, esse aprendizado merece atenção especial, pois pode ser mais difícil compreender determinadas situações sociais, identificar intenções, reconhecer desconfortos e expressar o que sentem ou precisam.

Por isso, essas habilidades precisam ser ensinadas de forma explícita, gradual e adequada ao desenvolvimento e às particularidades de cada um.

“Ser educado” não deveria significar aceitar tudo. Aprender a conviver não deveria significar concordar sempre, evitar conflitos a qualquer custo ou colocar o desejo dos outros acima do próprio.

Dizer “não quero”, “pare”, “não gosto disso”, “preciso sair daqui” ou “quero ajuda” também são habilidades sociais e podem ser importantes habilidades de proteção ao longo da vida. Independência não é simplesmente “não precisar de ninguém”. Pode significar contar com os apoios necessários sem perder o direito de escolher, discordar, colocar limites e dizer não.

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