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Quem cuida também cansa

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Às vezes, a gente olha para os nossos filhos e pensa que precisa ser forte o tempo inteiro. Mas quem cuida também cansa. Quem cuida também sofre. E pedir ajuda não diminui o amor que você sente pelo seu filho.

O estresse, a ansiedade, a tristeza e o esgotamento não significam falta de amor pelo filho. Também não significam que você é um pai ou uma mãe ruim. Significam que você é uma pessoa vivendo uma rotina que, em muitos momentos, pode ser muito exigente.

Na Terapia de Aceitação e Compromisso, aprendemos que não precisamos esperar que todas as dificuldades desapareçam para começar a cuidar de nós mesmos. Podemos reconhecer o que estamos sentindo e, mesmo assim, dar pequenos passos em direção àquilo que é importante.

Talvez o autocuidado, neste momento, seja:

Permitir-se descansar sem culpa.

Dividir responsabilidades com alguém de confiança.

Pedir ajuda quando perceber que não está conseguindo dar conta.

Ter alguns minutos para fazer algo que você gosta.

Conversar sobre o que está sentindo, em vez de guardar tudo sozinho.

Entender que você não precisa acertar o tempo todo.

Cuidar de si não é abandonar seu filho. Pelo contrário. É reconhecer que você também faz parte dessa história e que suas necessidades importam.

Todos nós passamos por momentos difíceis. Pais e mães de autistas também podem se sentir cansados, frustrados, tristes ou sem esperança. E ninguém deveria precisar enfrentar tudo isso sozinho.

Se você está vivendo uma fase difícil, procure apoio. Falar sobre o sofrimento não é fraqueza. Buscar ajuda é uma atitude de cuidado e coragem.

Você não está sozinho.

E, se em algum momento surgirem pensamentos de desistir da própria vida ou de se machucar, procure ajuda imediatamente. No Brasil, o CVV atende pelo 188, gratuitamente, 24 horas por dia. Em uma emergência, procure um serviço de urgência.

Cuidar de quem cuida também é promover saúde, qualidade de vida e dignidade.

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