20/06 | 2 anos de Coletivamente

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Em 2017 participei como palestrante em um evento, aqui na Holanda, para um grande número de pessoas – maioria de pais e mães. Na fila dianteira sentavam todos os palestrantes e um pessoal da organização. A meu lado, uma senhora alta, de meia idade. Não sei por que, pensei que era mãe de autista. Ela olhava para mim, de vez em quando, mas não puxava assunto. Eu, com meu jeito de quebrar o gelo (deixar pessoas à vontade), me apresentei e perguntei a ela se também era mãe de autista. Ela levantou as sobrancelhas, riu e respondeu (exclamou): “Graças a Deus, não!”

Eu retornei o levantar de sobrancelhas (surpresa por ouvir um comentário capacitista) mas preferi não comentar.

A senhoraa era/e’ uma neurocientista, pesquisadora do Processamento Sensorial no Tea. Por sinal, a palestra dela foi interessante, apesar do viés da incapacidade.

Graças a Deus minha palestra foi ótima. Fiz o que sempre faço: levo esperança com argumentos e reflexões baseadas no lado mais humanizado de aproximação do TEA.

Dossiê pessoa autista

Quando a gente lê um dossiê de uma pessoa autista, leva um susto com aquele monte de limitações escritas no relatório.
Quando a gente vê essa pessoa, se enche de esperança. Eu, pelo menos, que sempre vejo as possibilidades.

Não ser mãe de um autista não deveria ser um livramento ou sorte. Nossa Senhora não abençoou mais por isso. Essa sensação que algumas pessoas com filhos sem deficiência têm, de serem abençoados, pode funcionar para eles, mas é bem ingênua dentro do espectro da humanidade.

Ninguém é melhor que ninguém por ter ou não deficiência. Óbvio para alguns, mas não para todos.

Como diz a Temple Grandin:

“Different, not less” –
“Diferente, mas não menos.”

Você não é menos do que ninguém. Repita isso quantas vezes for necessário até virar a sua (nova) verdade 🙏🏼❤️

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